quarta-feira, 14 de maio de 2008

Cindy Sherman

























Fotógrafa e realizadora norte-americana, Cindy Sherman nasceu em 1954, em New Jersey, nos Estados Unidos da América. Começou a estudar pintura num colégio universitário em Nova Iorque, onde se tornou conhecida por sair à rua vestida como Lucille Ball, como forma de escape para os seus momentos de depressão. A maioria das suas pinturas eram auto-retratos e reproduções de fotografias que retirava de revistas. É através da sua professora de fotografia que Sherman contacta pela primeira vez com a arte conceptual, que viria a marcá-la profundamente. Começa a fotografar em 1977, produzindo uma série de imagens a preto e branco intituladas "Untitled Film Still". Tentando fugir à estética da fotografia tradicional, o seu trabalho é comparável ao de alguns artistas famosos como Barbara Kruger, Richard Prince e Jenny Holze. Cindy Sherman fotografava-se incorporando vários estereótipos femininos, inspirada por filmes da série B dos anos 50. Foi nesta época que começou a fotografar a cores, produzindo imagens de grande dimensão concentrando-se na iluminação e na expressão facial. Ao longo dos anos, o seu estilo sofre alterações. Em meados dos anos 80, o seu trabalho era composto por auto-retratos em cenários cuidadosamente preparados. Eram fotografias onde tentava criar diferentes identidades, recorrendo a diversas máscaras, roupas e até partes de corpos de manequins. Mais tarde, os seus trabalhos começaram a assumir características violentas e mórbidas, inspirados em filmes de terror. A destruição e a decomposição passam a ser a sua imagem de marca. Ao longo dos anos 80 e 90, trabalhou em campanhas publicitárias para designers de moda como Jean Paul Gaultier e Rei Kawakubo da Comme des Garçons, o que lhe permitiu dar a conhecer o seu trabalho internacionalmente.Os trabalhos de Cindy Sherman encontram-se em exibição em vários museus de todo o Mundo e recentemente foi lhe atribuída uma bolsa pela MacArthur Foundation. O seu primeiro filme, "Office Killer", data de 1997.

Artigo:Cindy Sherman। In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-05-14].Disponível na www: .
Links:

www.cindysherman.com/
Metro Pictures Cindy Sherman Slide Show

domingo, 9 de março de 2008

Luis Royo








































Luís Royo nasceu em 1954 em Cutanda,Teruel e é o ilustrador mais conhecido em todo o mundo.Estudou desenho técnico,pintura,decoração na Escuela de Mestria e Industrial e na Escuela de Artes Aplicadas de Zaragoza.Depois de ter trabalhado como pintor,desenhador e desenho de “comics”,a partir de 1983 deicou-se à ilustração iniciando finalmente a sua carreira como artista.
Luís Royo é verdadeiramente um talento reconhecido a nível mundial.
A suberba mescla de ficção científica/fantasia,visões eróticas,e estilo realista,a sua composição é estudada e exacta,enquanto parece capturar sem esforço momentos emocionalmente perfeitos de algumas das mulheres mais belas do planeta.
Texto:Roberto Borges
Consultas:Edições da Norma Editorial

«Luís Royo,com paciência de Alquimista,constrói imagens que suscitam em essa reacção de intranquilidade preplexa.Não me serve de nada tentar descodificar a mensagem,tentar encontrar os comos e porquês.No final essa vertigem incontrolável impõe-se à razão e à teoria.
Luís peverte deliberadamente o que pinta.Haverá quem não se dê conta e veja as suas imagens apenas como uma mulher sobre um fundo fantástico.Mas Luís executa com mestria malévola uma modalidade clássica da Pintura:a paisagem com figura e manipula como tema o eterno mito da Bela e o Monstro,oferecendo-nos frias e distantes beldades com olhares de indiferença felina e incongruentemente atraentes no meio de cenários lúgrubes.Elas são o contraponto das suas composições sucintas»
Miguelanxo Prado


Link:Luis Royo-

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Francis Bacon












Francis Bacon nasceu em 28 de Outubro de 1909 em Dublin, morreu em 28 de Abril de 1992, em Madrid.
Filho de pais ingleses, o seu pai foi um veterano da Guerra dos Boêres, Eddy Bacon, que posteriormente se tornou num treinador de corrida de cavalos, a sua mãe foi herdeira de um negócio de aço e de uma mina de carvão.
Francis foi cuidado por uma enfermeira, Jessie Lighfoot, pois foi uma criança asmática e com alergias a cães e a cavalos, no decurso das suas crises era obrigado a tomar morfina. Todavia, o seu pai, uma pessoa severa, rude e violenta, perante esta situação tinha por hábito chicotear Bacon que era para o “fazer homem”. Esta ocorrência gerou nele um comportamento de oposição a seu pai. A sua infância difícil influenciou e inspirou as suas obras.
Foi um pintor Irlandês de pintura Figurativa. A sua obra espelha audácia e austeridade. Pintor autodidacta, nunca recebeu educação formal, os seus primeiros trabalhos reflectem influência de Picasso.
Bacon foi viver para Londres, aí foi decorador de interiores sem deixar de lado a pintura.
Em 1933, a sua “crucificação” ilustrou o livro de Herbert Read Art Now. Em 1945, Bacon realizou a sua primeira exposição individual na “Lefevre Gallery”, onde as suas obras expunham imagens com tons sanguíneos. Todavia, a população da época não aceitou de bom agrado as suas obras, não houve admiração mas sim recusa. Período em que tinha ocorrido a 2ª guerra mundial, as pessoas queriam ver e ouvir falar de paz e já estavam fartos das calamidades da guerra.
Muitas das suas obras foram realizadas através de fotografias rasgadas e amarrotadas, de animais selvagens, de combates de boxe e de futebolistas. É crucial referir, que nos anos 50, o retrato de Inocêncio X de Velásquez, produzida a partir da obra de Diego Velaquez, influenciou várias telas do pintor, inspiradas em William Blake e na pintura de Van Gogh. Bacon traçou nestas obras uma visão mais “modernista” do mundo.As obras de Bacon expõem temas que chocaram as pessoas, temas que eram tabu, nomeadamente as fantasias masoquistas, a pedofilia, o desmembramento de corpos, a violência masculina, o sangue, a urina, o esperma, o sexo, a solidão, a dor e a expressão animal.


Texto:Anabela Ribeiro

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Egon Schiele

















Egon Shiele nasceu a 22 de Junho de 1890 em Tullin,uma pequena aldeia situada nas margens do Daúbio,a 40Km de Viena.O seu pai era o chefe da estação e era ali mesmo que vivia a família.O jovem Schiele cresceu num meio típico de funcionários de província.Ainda criança passava horas a desenhar e não era feliz senão diante de uma folha de papel e lápis de cor.Mesmo na escola,fosse em Tullin,no colégio ou no liceu de Klosterneuburg,nada mais despertava o seu interesse.
Nunca em torno de nenhum outro artista do seu tempo se criaram tantos mitos como aconteceu com Egon Schiele.Biografos e historiadores de arte evocam uma vida neurótica e profundamente trágica।Vêem nele um psicopata,um obscecado sexual,um fogoso revolucionário ou,no mínimo,um agitado.Uma biografia obtém tanto mais sucesso quanto apresente o protagonista envolto num enredo em que abunde o escândalo e a complexidade,pois mesmo que o essencial de uma personalidade não resida na infracção e na transgressão das regras,existe sempre a tentação de «inventar» e «romanciar».
(Texto retirado de Egon Schiele-Obras em Papel de Serge Sabarsky-Edição da Culturgest)




ARTE ERÓTICA



O obsceno
As peças eróticas constituem um núcleo importante na obra de Schiele.Trata-se de quadros a aguarela ou guache,onde o artista vai mais além do simples tema do nu para representar,de forma unívoca e por vezes crua,os sexos feminino ou masculino,ou então uma prática sexual determinada.O quadro “Observada a Sonhar(1911)" representa uma mulher nua deitada de pernas abertas, com meias calçadas,e oferecendo os grandes lábios do seu sexo pintados de um cor de laranja vivo.Esta foma de representar a masturbação tem uma longa tradição na arte erótica.
No entanto,é obvio que a dedicação de Schiele a motivos eróticos também estava ligada a necessidades económicas.Os desenhos eróticos eram comercializados num mercado de arte paralelo e frequentemente encomendados directamente ao pintor.Era impensável expô-los,pois eram considerados obscenos,colidindo com as regras da moral e bons costumes.No processo que foi levantado contra Schiele em 1912,o pintor foi condenado pela exposição de arte erótica num espaço público.

O tabu do onanismo
O auto-retrato de Schiele em que aparece a masturbar-se documenta a sua desinibição sexual.No quadro “Eros” apresenta o tema da sua própria sexualidade.Ao contrário das representações da masturbação feminina,o pintor analisa à frente do espelho as suas próprias reacções emocionais.Trata aqui o tema de uma prática sexual na altura proibida e apenas realizada às escondidas.Ao mesmo tempo,liberta-se de uma tradição iconográfica («porngráfica») que representava quase exclusivamente os genitais femininos com os pêlos púbicos e a mulher a masturbar-se.Pode-se ter uma ideia da provocação que constituía o”Eros” de Schiele numa época em que onanismo era-e continuou a ser durante algum tempo ainda-perseguido no plano médico,psicológico e jurídico.A masturbação era um tabu absoluto.Na viragem do século havia uma verdadeira «fixação onanica»,já que se encaraca a masturbação como responsável por doenças mentais e perturbações diversas.Os médicos chegavam mesmo a submeter os seus pacientes a brutais mutilações dos órgãos genitais.
Os inavadores estudos de Freud sobre a sexualidade vieram retirar fundamento a estas bárbaras práticas.

O nu erótico
O que é um nu em arte?E o que o torna em erótico?
O crítico de arte britânico John Berger dá uma resposta interessante a estas perguntas.Explica que o nu se reporta sempre á sexualidade vivida .Estar nu significa mostra-se tal como se é.Na representação do nu,o,o retratado é visto pelos outros mas não enquanto indivíduo.Para se tornar um nu artístico,o corpo nu tem de ser visto como um objecto.A nudez desvela-se a si mesma,enquanto o nu artístico exibe-se.Se um ser humano é representado nu,a sua nudez é uma espécie de traje.É por isso que o nu artístico é uma forma de representação de vestuário.Os nus de Schiele mostram o corpo enquanto objecto,e como tal inscrevem-se ainda na tradição desta forma pictórica.O que é novo,em contrpartida,é o exibicionismo do sexo.
Nas representações oficiais de nus do século XIX era impensável reprodusir os pêlos púbicos e a vulva.Na fotografia erótica artística retocavam-se as características sexuais primárias para dissimulá-las,ou então vestiam-se os modelos com “maillots” cor de pele de corpo inteiro que imitavam a superfície das estátuas da Antiguidade.Estes nus estimulavam as fantasias dos observadores sem,todavia,consederem ao retratado uma sexualidade activa.Schiele afastou-se radicalmente deste esquema ao eleger como objecto da sua arte o corpo dotado de uma sexualidade activa.Exibia os seus modelos em posições possíveis (e impossíveis),para orientar o olhar para o centro erótico do quadro.
O nu tradicional da pintura de salão do século XIX é moderadamente erótico,pois é marcado por uma nudez pudica.Schiele ultrapassa a convenção.Os seus nus são «impúdicos»,exibindo os órgãos genitais e os pêlos púbicos,e nomeando a sexualidade com toda a crueza.
(Texto retirado da edição portuguesa de 2001 da Könemann Verlagsgesellschaft Schiele.Leben und Werk) mbh-Egon